Os
lobisomens são seres que nascem com aparência humana e só vem a conhecer
sua real forma quando fazem a Primeira Transformação, esta que deve ocorrer na
mesma Lua em que ele nasceu. Vivem como se estivessem em dois mundos, mas não
são bem vindos em nenhum. Os humanos e os espíritos são os “parentes”, mas não
são bem vistos nem por um e nem por outro. Muitos licantropos possuem fortes
problemas com espíritos e por respeito evitam adentrar territórios como
cemitérios, por exemplo (o Arcanjo Lycan também serve de exemplo). A Lua
inconstante governa o fluxo e o refluxo do sangue.
Os
predadores da era contemporânea caçam em florestas de asfalto, alvenaria e
vidro. Suas presas e garras são colocadas a prova em meio a um mundo repleto de
câmeras. Seus sentidos lhe mostram aspectos do mundo que ele nunca viu. Debaixo
da pele humana, há uma Fera claustrofóbica que anseia por liberdade. O terno de
carne humana abafa seus sentidos, somente a mudança o torna completo novamente.
Somente os
lobisomens são capazes de experimentar emoções tão intensas. Suas alegrias são
mais profundas, seus episódios melancólicos, mais assoberbantes. Mas
absolutamente nada faz um coração lupino bater mais do que a ira.
À medida que
ele cresce, a raiva vai amadurecendo em sua alma e se fortalece, cresce junto
até se transformar numa força de intensidade brutal. Se ele permitisse, toda
essa força o sufocaria até a morte, por isso ela precisa ser liberada e o
lupino procura uma oportunidade para liberar toda essa ira. Ele assume sua
forma real, como quando um guerreiro veste sua armadura... Só a Fera fala
agora!
Por mais
difícil que seja controlar os instintos predatórios, o lobisomem ainda assim
precisa tentar. Aquele que cede com frequência a sua raiva, que caça mesmo
quando não tem fome ou devora a carne de seus irmãos acaba tornando-se cada vez
mais bestial. Mas o lupino não pode negar a sua verdadeira natureza. A recusa
de transformar-se a luz de sua Lua de Nascimento e correr por aí sob sua forma
natural pode distorcer a noção de identidade do lobisomem e levá-lo a loucura.
O lobisomem
não pode se render aos seus desejos predatórios, tampouco pode renegá-los.
Somente ao trilhar um estreito caminho do equilíbrio, exatamente entre o homem
e a fera é que ele encontra um pouco de paz. Esses momentos são fugazes e muito
frágeis ao luar, mas representam o âmago e alma daquilo que faz o povo lupino
continuar lutando.